Estudo publicado na revista “Nature” revela dados importantes sobre a regulação da cromatina e da pluripotência das células estaminais embrionárias
2009.7.8
A proteína Chd1 foi identificada como um regulador fundamental da pluripotência das células estaminais embrionárias, e da reprogramação de células somáticas para células pluripotentes.
Chd1Um estudo publicado hoje na revista “Nature”(1), identificou a proteína Chd1 como um regulador fundamental da pluripotência das células estaminais embrionárias, e da reprogramação de células somáticas para células pluripotentes. Este trabalho foi liderado por Miguel Ramalho-Santos (Universidade da Califórnia em São Francisco, EUA) e tem como primeiro autor Alexandre Gaspar-Maia, estudante do Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra.

A cromatina “aberta” (eucromatina), menos compactada/condensada do que a designada heterocromatina, é conhecida por ser o local preferencial de transcrição nas células eucarióticas, e é característica das células estaminais. Uma questão que se coloca é sobre a necessidade da topologia “aberta” da cromatina para a manutenção do estado indiferenciado das células estaminais e sobre quais serão os factores necessários à conservação dessa topologia.

Este estudo propõe um mecanismo adicional para a regulação da pluripotência em células estaminais, a par com os factores de transcrição que permitem a activação de genes que se sabem actualmente estar envolvidos neste processo e com os mecanismos epigenéticos que permitem o silenciamento de genes de diferenciação.

Esta equipa de cientistas identificou a proteína Chd1 como elemento regulador da expansão das células estaminais embrionárias e da capacidade de pluripotência destas células – capacidade que é anulada quando o gene para Chd1 é silenciado. Foi igualmente identificada uma clara associação de Chd1 com a eucromatina, podendo estar preferencialmente direccionada para genes envolvidos na transcrição e na organização da própria cromatina.

Alexandre Gaspar-Maia acrescenta que “Chd1 é também importante no processo de reprogramação em células pluripotentes induzidas (iPS)”, já que “o uso de células estaminais embrionárias está um pouco limitado (por razões éticas e técnicas) [enquanto] as células iPS podem ser feitas "à medida" (…) através de células diferenciadas de pacientes com doenças degenerativas (como Parkinson) ou até diabetes”, sendo possível “usar as células iPS para estudar in vitro os mecanismos do desenvolvimento destas doenças, e experimentar novos fármacos”. O investigador equaciona ainda a utilização destas células em terapias de reintrodução celular, considerando que “para estas tecnologias serem possíveis, é necessário compreender o processo de reprogramação para o estado pluripotente, de modo a fazer células iPS de um modo mais eficiente e mais seguro”.


(1) Alexandre Gaspar-Maia, Adi Alajem, Fanny Polesso, Rupa Sridharan, Michael Mason, Amy Heidersbach, João Ramalho-Santos, Michael T. McManus, Kathrin Plath, Eran Meshorer & Miguel Ramalho-Santos [doi:10.1038/nature08212]
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