Blood Reprogramming Technologies premiada pelo «Arrisca C»
A Blood Reprogramming Technologies (BRT), spin-off do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), foi premiada pelo evento «Arrisca C», na categoria de melhor modelo de negócio com uma tecnologia que reprograma células da pele, alterando a sua identidade para células estaminais do sangue, podendo ser utilizadas em transplantes de medula óssea.
Arrisca C

A empresa apresenta um método inovador de reprogramação celular direta que permite gerar células estaminais do sangue (CES) transplantáveisa partir de células da pele de doentes. As CES residem na medula óssea e dão origem a todas as células sanguíneas. As células obtidas poderão ser utilizadas em transplantes de medula óssea, único tratamento curativo para doentes com cancros sanguíneos e outras doenças que dependem da regeneração do tecido sanguíneo.

Os resultados experimentais foram demonstrados inicialmente com células de ratinho, tendo sido publicados em 2013 e 2016 em revistas de alto impacto na área das células estaminais, Cell StemCell e DevelopmentalCell. A tecnologia encontra-se protegida por patente e foi replicada com sucesso em células humanas, tendo-se completado assim a prova de conceito.

A BRT é uma start-up de base biotecnológica fundada em Março de 2017 pelos investigadores Carlos Filipe Pereira, Cristiana Pires e Fábio Fiúza Rosa do CNC. A BRT participou no concurso “Arrisca C” que visa estimular o desenvolvimento de conceitos de negócio em torno dos quais se perspetive a criação de novas empresas, dinamizado pela Divisão de Inovação e Transferências do Saber (DITS) da UC.

Os três investigadores fazem parte do Grupo de Reprogramação Celular e Hematopoiese onde, em conjunto, têm optimizado a tecnologia de reprogramação em CES a partir de células da pele humana. O potencial translacional da tecnologia permitiu aos três elementos participar no Programa de aceleração COHiTEC 2016, promovido pela COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos e Caixa Capital. O programa permitiu o desenvolvimento de um modelo de negócio com base no produto MiStem, o qual foi premiado no Arrisca C e que já tem despertado interesse de várias agências de investimento de capital de risco. A BRT participou ainda noutros concursos de empreendedorismo tais como o Montepio Acredita Portugal, no qual foi vencedora do Prémio Saúde 2017.

A BRT pretende ajudar os doentes através da translação de descobertas científicas na área da reprogramação celular direta em produtos com potencial terapêutico nas áreas de regeneração sanguínea e imunoterapia. A BRT procura estabelecer outras metodologias de reprogramação celular que permitam obter células sanguíneas e do sistema imune com interesse terapêutico. A start-up procura aumentar a eficácia terapêutica dos tratamentos atualmente utilizados, reduzindo simultaneamente os efeitos secundários que representam uma pesada carga económica para os serviços nacionais de saúde. A BRT encontra-se atualmente à procura de investimento para finalizar os ensaios pré-clínicos que possibilitarão a entrada do MiStem em ensaios clínicos e, no futuro, o seu uso para tratar os doentes.

A Reprogramação Celular é uma área de investigação que apresenta um relevante desenvolvimento na última década, devido à possibilidade de manipular a identidade de uma célula e convertê-la noutro tipo de célula diferente. As descobertas pioneiras nesta área levaram a que John Gurdon e Shinya Yamanaka fossem galardoados com o Prémio Nobel da Medicina em 2012. A comunidade científica tem vindo, na última década, a explorar estas tecnologias de reprogramação que permitem gerar células do próprio doente para serem usadas em transplantação, num contexto de medicina regenerativa.

O exemplo mais conhecido de medicina regenerativa é conhecido como o transplante de CES, ou transplante de medula óssea. Todos os anos cerca de 500 mil pessoas são diagnosticadas com doenças sanguíneas com indicação clínica para transplante de CES em países desenvolvidos. Contudo, apenas 60 mil transplantes são realizados usando CES autólogas ou alogénicas da medula óssea ou do cordão umbilical. Estas CES apresentam limitações relacionadas com o número, compatibilidade e estado de saúde das próprias células. A BRT oferece uma solução disruptiva em resposta à necessidade de fontes alternativas de CES, usando para isso células da pele facilmente isoladas de cada doente. A tecnologia patenteada da BRT permite gerar CES saudáveis, compatíveis e em número suficiente para todos os doentes que necessitem de um transplante, permitindo tratar mais doentes com menos riscos associados.

Mais informações sobre a Blood Reprogramming Technologies em: www.bloodrt.com
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