Impacto social das descobertas no LBG
Estudos bioquímicos
Em geral, a primeira causa de investigação do doente com doença relacionada com a bioenergética mitocondrial é a manifestação de um ou mais sintomas, como atraso de desenvolvimento e hipotonia de causa desconhecida, miopatia, oftalmoplegia, atrofia do nervo óptico, epilepsia, surdez não sindrómica, entre outras. Os estudos bioquímicos, para além de abrirem caminho para o estudo direcionado da pesquisa de mutações em genes relacionados com os complexos da CRM afetados, ajudam a definir o diagnóstico das citopatias mitocondriais quando se encontra o défice num tecido, numa linha celular, ou em mais do que um tecido, de acordo com os critérios de Walker, et al, 1996; Bernier et al, 2002; Wolf e Smeitink, 2002; Grazina M, 2012.
Ao longo dos anos da nossa atividade, já realizamos centenas de diagnósticos, ajudando quem nos procura, a encontrar a causa de uma doença.
Mesmo não havendo cura, um dos aspetos da doença mais importantes para o médico e para o doente é a identificação da causa e do problema. “Pior do que ter uma doença grave, é não saber o que se tem”.
Exemplo 1:
Na implementação do ensaio e avaliação de valores controlos para a análise da atividade da Fumarase (2009), foi possível identificar dois casos em que se confirmou o défice enzimático.
Clínica inicial:
D1- Atraso de desenvolvimento psicomotor; ligeiro aumento de lactato; aumento da excreção de ácido fumárico
D2- Atraso de desenvolvimento psicomotor, microcefalia, dismorfismos, aumento da excreção de ácido fumárico.

Exemplo 2 – Alguns casos em que o estudo dos aminoácidos no LBG foi crucial:

A quantificação de aminoácidos em fluidos biológicos (plasma, urina e liquido cefalorraquidiano) desempenha um papel importante no diagnóstico de defeitos primários do metabolismo dos aminoácidos. Nos últimos anos, esta análise permitiu/ajudou o diagnóstico de várias doenças como é o caso da Hiperglicinémia Não Cetótica, Deficiência de metionina adenosiltransferase (MAT), Cistinúria, Citrulinémia, entre outras.
Além de indicar possíveis alterações primárias, o perfil de aminoácidos pode também estar alterado como resultado de alterações secundárias; por exemplo, o aminoácido alanina aparece frequentemente aumentado nas Doenças da CRM.
A análise de aminoácidos é muitas vezes solicitada no controlo de dietas, uma vez que o perfil dos vários aminoácidos ajuda a realizar ajustes na dieta, sempre que tal seja necessário. A PKU clássica (deficiência de fenilalanina 4 hidroxilase), a DHPR (deficiência de dihidropteridina redutase), a MSUD (Maple Syrup Urine Disease), a Acidémia Metilmalónica, a Homocistinúria, a Tirosinémia, são apenas alguns exemplos de doenças avaliadas com o objetivo de verificar a necessidade de ajustar ou não a dieta.
A realização deste estudo também é muito importante em doentes com patologias com envolvimento hepático, principalmente nos casos pré e pós transplante.

Diagnóstico (n = 5):
- Deficiência de metionina adenosiltransferase (n = 1)
- Citrulinémia (n = 2)
- Cistinúria (n = 2)

Controlo das dietas (n = 50):
- Distúrbios no metabolismo da histidina (n = 1)
- Distúrbios da glicina e iminoácidos (n = 1)
- Hiperfenilalaninémia (n = 14)
- Distúrbios no metabolismo da leucina (n = 8)
- Defeitos do ciclo da ureia (n = 11)
- Distúrbios no metabolismo da valina-isoleucina (n = 3)
- Distúrbios de ornitina, lisina e triptofano (n = 3)
- Distúrbios dos aminoácidos com enxofre (n = 6)
- Distúrbios do metabolismo da tirosina (n = 3)

Follow-up de doentes da Hepatologia pré e pós transplante (n = 23)
Estudos genéticos:
A análise genética para identificar a causa da doença é a única possibilidade de diagnóstico definitivo, possibilitando ainda, em muitos casos, o aconselhamento genético, diagnóstico pré-natal, ou, tendo em conta os desenvolvimentos mais recentes, até mesmo o diagnóstico pré-implantatório.

Exemplo 3
m.14484T>C – Doente sem qualquer informação clínica associada a problemas oftalmológicos; referência apenas a cardiomiopatia: o diagnóstico laboratorial com identificação de uma mutação associada a LHON, permitiu informar relativamente à necessidade de um acompanhamento por parte da especialidade de Oftalmologia, permitindo uma intervenção mais prcoce; levou a que fosse feito um estudo familiar, importante a nível do aconselhamento genético.

Exemplo 4
m.8993T>G – Caso bastante singular que exemplifica toda a envolvência e complexidade destas doenças, pois para além de uma deficiência genética relacionada com outra doença do metabolismo, OTC (ciclo da ureia), foi detetada a mutação primária 8993T>G associada à doença de Leigh. Associação inédita de duas doenças raras.

Exemplo 5
m.14487T>C – As alterações patogénicas mais frequentes não devem ser as únicas a ser investigadas quando existe uma suspeita. Este estudo, que mais tarde foi alargado à família por indicação da especialidade de Genética Médica, não revelou a presença da alteração mais frequente associada a Leigh (8993T>G) mas sim a de uma mutação mais rara também associada à mesma doença.

Exemplo 6
m.1555G>A e m.8993T>C – A conjugação de mais do que uma mutação patogénica no mesmo indivíduo é um fenómeno extremamente raro mas que foi detetado num doente investigado com muito detalhe.

Exemplo 7
m.11778G>A – Identificámos diversos casos (n=10) com a alteração mais frequente no DNA mitocondrial e alvo de diversos estudos familiares e de investigação no LBG

Exemplo 8
Deleções Múltiplas – foram detetadas em mais de 30 amostras, que requerem a investigação de genes nucleares associados, cujo estudo está em curso. Exemplo de interação bigenómica (o genoma nuclear tem alterações que causam mutações no genoma mitocondrial).

O Síndrome de depleção do DNA mitocondrial é uma citopatia mitocondrial, que inclui um grupo heterogéneo de doenças, causadas por defeitos na comunicação intergenómica, nomeadamente devido a mutações em genes nucleares que causam uma redução grave do conteúdo em DNA mitocondrial, com comprometimento da produção de energia. A redução do número de cópias de mtDNA tem sido descrita como a causa principal de doenças mitocondriais em crianças. Os ensaios de quantificação do número de cópias fazem parte do rastreio genético do DNA mitocondrial. Nos casos diagnosticados com Síndrome de depleção, devem ser investigados os genes nucleares já associados a esta síndrome. estudos genéticos realizados na altura não tinham permitido identificar uma causa para a doença mitocondrial que eles apresentavam.

Exemplo 9
Desde que foi implementada no LBG, em Agosto de 2008, a quantificação do número de cópias de mtDNA permitiu diagnosticar 16 casos de depleção mitocondrial. Alguns dos doentes diagnosticados com depleção, tinham sido estudados no laboratório há algum tempo, mas os A identificação da depleção do DNA mitocondrial nestes doentes, permitiu a posterior investigação de alterações na sequência de genes nucleares que causam esta citopatia mitocondrial.
Já identificámos a causa genética nuclear em 5 doentes.
Realizámos uma análise de diagnóstico pré-natal com sucesso.

O complexo da Citocromo C Oxidase (COX, Complexo IV) é um dos componentes da cadeia respiratória mitocondrial, e catalisa a transferência de eletrões do citocromo c reduzido para o oxigénio. É composto por 13 subunidades que são codificadas por genes mitocondriais e nucleares, como por exemplo o gene SURF1., que é um dos responsáveis pelo agrupamento (assembly) das subunidades que forma o complexo funcional. Defeitos nestes genes alteram a função e estrutura da COX, tendo como consequência um défice na sua atividade, que pode ser detetada por espetrofotometria, servindo de guia para o estudo genético.

Exemplo 10
Já identificámos 4 mutações no gene SURF1, permitindo o aconselhamento genético.
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Actualizado em 2014-07-10
 
   
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